A Geely Holding Group não está para brincadeira. Em um movimento agressivo para redesenhar o mapa da indústria automotiva, a gigante chinesa anunciou que pretende entrar no top 5 de vendas globais de veículos até 2030. O objetivo é ambicioso: saltar da sétima posição, onde está em 2025, para o grupo de elite do setor, movendo cerca de 6,5 milhões de unidades por ano. A estratégia, detalhada por An Conghui, CEO do grupo, em comunicado publicado em 23 de janeiro de 2026, coloca o Brasil como uma peça central desse tabuleiro.
Aqui está o ponto chave: a Geely não quer apenas vender mais carros, ela quer mudar o que vende. A meta é que os veículos de nova energia (elétricos e híbridos) representem 75% de todas as suas vendas até o final da década. Para isso, a empresa está desenvolvendo uma arquitetura global que promete reduzir os custos de produção e o tempo de desenvolvimento de novos modelos em mais de 30%. É aquela velha história de escala e eficiência que as marcas chinesas estão usando para atropelar a concorrência tradicional.
A ofensiva elétrica no Brasil: o fenômeno do EX5
Se você mora no Brasil, talvez já tenha cruzado com o Geely EX5 pelas ruas. Lançado em julho de 2025, esse C-SUV 100% elétrico tornou-se a ponta de lança da marca por aqui. O carro não chegou apenas para somar; ele chegou para vencer. Tanto que, em 18 de dezembro de 2025, durante uma cerimônia em São Paulo, o modelo levou o prêmio de "Melhor Veículo Elétrico de 2025" concedido pelo UOL Carros.
Mas não foi só a crítica que gostou. Os números mostram que o consumidor brasileiro abraçou a proposta. Desde o lançamento, o EX5 manteve a liderança de vendas em sua categoria por quatro meses consecutivos. Isso indica que a estratégia de trazer tecnologia de ponta com preços competitivos está funcionando melhor do que o esperado.
O segredo do sucesso do EX5 está no que a Geely chama de "quatro pilares inteligentes": energia, segurança, espaço e interação. O carro usa a arquitetura GEA, que foca em aproveitar cada centímetro interno. Curiosamente, embora seja classificado como um C-SUV, quem entra nele sente que está em um D-SUV (um segmento acima), com uma taxa de aproveitamento de cabine de 67,2%. É espaço de sobra para quem não quer abrir mão do conforto.
Tecnologia de chip e performance bruta
Sob o capô (ou melhor, no assoalho), o EX5 esconde um powertrain elétrico 11-em-1. Para quem não é do ramo, isso significa que vários componentes foram integrados em um único sistema, reduzindo o peso e aumentando a eficiência. O resultado? 218 cavalos de potência e um torque de 320 Nm. Na versão PRO, o carro vai de 0 a 100 km/h em 6,9 segundos, o que é bem ágil para um SUV familiar.
Mas a verdadeira "joia da coroa" é invisível. O veículo é equipado com um super chip automotivo de sete nanômetros, desenvolvido em parceria com a SiEngine Technology. Esse é o primeiro chip desse tipo fabricado na China, permitindo que o sistema de entretenimento Flyme Auto e o painel digital de 10,2 polegadas operem com uma fluidez quase instantânea.
Segurança e Assistência ao Condutor
Para quem se preocupa com segurança, a versão MAX do EX5 é quase um computador sobre rodas. Ela conta com o pacote ADAS completo, que inclui:
- Frenagem Autônoma de Emergência (AEB)
- Controle de Cruzeiro Adaptativo (ACC)
- Assistente de Manutenção de Faixa (LKA)
- Alerta de Ponto Cego (BSD)
- Reconhecimento de Sinais de Trânsito (TSI)
O ecossistema Geely: muito além de uma marca
É importante entender que a Geely não é apenas a marca dos carros que vemos nas lojas. Ela é um ecossistema. A Geely Auto é a subsidiária principal, mas o grupo também controla marcas consagradas como a Volvo e a Lotus. Essa sinergia permite que a tecnologia de segurança da Volvo, por exemplo, acabe influenciando a construção dos modelos Geely.
O CEO da Geely Auto, Gan Jiayue, traçou metas claras para 2026: a subsidiária quer vender 3,45 milhões de unidades. O mais impressionante é a meta de exportação, que deve chegar a 640 mil veículos — um crescimento de mais de 50% em relação a 2025. Isso mostra que a China não quer mais ser apenas a "fábrica do mundo", mas sim a exportadora de tecnologia de luxo e eficiência.
Outro marco recente foi a 3ª Competição Global de Habilidades de Serviço, encerrada em 7 de novembro de 2025 na Base de Manufatura de Xi'an. O evento reuniu especialistas de 20 países, provando que a empresa está investindo pesado no pós-venda para não repetir os erros de outras marcas que entraram em novos mercados sem suporte técnico adequado.
O que esperar para o futuro próximo
Com a meta de que um terço das vendas sejam internacionais até 2030, a Geely deve continuar expandindo sua rede de concessionárias e centros de serviço no Brasil. O sucesso do EX5 abre caminho para outros modelos, possivelmente híbridos plug-in, utilizando o sistema i-HEV da marca, que detém um Recorde Mundial do Guinness por sua eficiência térmica de 48,4%.
A pergunta que fica agora é: como as montadoras tradicionais instaladas no Brasil vão reagir a esse avanço? A Geely não está trazendo apenas carros, está trazendo chips proprietários e arquiteturas de software que tornam a experiência do usuário muito superior aos modelos de entrada da concorrência.
Perguntas Frequentes
Qual a meta de vendas da Geely para 2030?
A Geely Holding Group planeja vender 6,5 milhões de veículos globalmente até 2030, buscando subir para a quinta posição no ranking mundial de vendas. Desse total, espera-se que mais de um terço das vendas ocorram fora da China.
O que torna o Geely EX5 especial no mercado brasileiro?
O modelo se destaca por ser um C-SUV 100% elétrico com espaço interno de um D-SUV, além de ter sido eleito o "Melhor Veículo Elétrico de 2025" pelo UOL Carros. Ele combina alta performance (0 a 100 km/h em 6,9s) com tecnologia de chip de 7nm.
Como a Geely planeja reduzir custos de produção?
A empresa está desenvolvendo uma nova arquitetura global para veículos de nova energia que abrange do segmento A ao E. Essa padronização visa reduzir os ciclos de desenvolvimento e os custos unitários em mais de 30%.
Quais outras marcas pertencem ao grupo Geely?
Além da própria Geely Auto, o grupo controla marcas de prestígio como Volvo e Lotus, além de marcas focadas em inovação e luxo elétrico, como a Zeekr e a Lynk & Co.
Qual a relevância do chip de 7 nanômetros no carro?
Desenvolvido com a SiEngine Technology, este é o primeiro chip automotivo chinês com essa litografia. Ele permite que o processamento de dados do veículo seja muito mais rápido, melhorando a resposta do sistema de entretenimento e dos assistentes de condução.
Comentários(1)