O Internacional e o Santos Futebol Clube empataram em 1 a 1 na terça-feira, 25 de novembro de 2025, no Beira-Rio, em um jogo que prometeu muito e entregou, na prática, um confronto de contradições. O time gaúcho, comandado por Ramón Díaz, abriu o placar no primeiro tempo — e dominou com autoridade — mas viu o Santos reagir no segundo tempo, sustentado por atuações individuais de destaque. O resultado, apesar da superioridade estatística do Inter, mantém ambos na zona intermediária da tabela, com o time de Porto Alegre em 12º (48 pontos) e o Peixe em 15º (45 pontos), com apenas três rodadas para o fim da temporada.
Domínio técnico não se traduz em vitória
O Sport Club Internacional jogou como quem queria liquidar logo o jogo. Com 54% de posse, 24 chutes (4 no alvo) e um xG de 2,42, o time de Díaz criou chances claras — e não converteu. O gol do primeiro tempo veio aos 37 minutos, em cobrança de escanteio que o zagueiro Gabriel desviou com força, deixando o goleiro Gabriel Brazão sem chances. Mas o que parecia ser o início de uma goleada virou uma longa espera por mais um gol. O Santos, por outro lado, teve apenas quatro chutes no total — dois no alvo — e um xG de 0,30. Ou seja: a chance deles de marcar era menor que a de um único escanteio do Inter. E mesmo assim, empataram.Destaques e falhas: o que funcionou — e o que não
No Santos, o nome que mais chamou atenção foi o do goleiro Gabriel Brazão, de 25 anos. Com três defesas — incluindo uma excelente no final do segundo tempo, quando negou um chute de Enzo da entrada da área — ele foi o principal responsável pelo empate. O lateral argentino Barreal, de 27 anos, também se destacou: foi o único jogador santista que conseguiu manter ritmo ofensivo contra a pressão do Inter pelo lado direito. Enquanto isso, o zagueiro Adonis Frías, de 26 anos, foi duramente criticado pela imprensa. "Não estava bem no primeiro tempo, falhou no gol do Inter e sofreu com as descidas do Internacional", apontou o GE Globo. Já o meio-campista Zé Rafael, 31 anos, teve uma das piores atuações da temporada: "Muitos erros de passe, dificuldade na marcação". No outro lado, o Internacional teve seu centro de comando em Enzo, o meia argentino de 23 anos, que criou quase todas as jogadas de perigo. Mas o time sofreu com a falta de finalização. O atacante Vitinho, que teve espaço para correr, foi isolado no ataque. O volante Kenay, de 22 anos, foi o mais ativo no meio, mas não teve apoio suficiente para transformar posse em gols. O goleiro Pedro, de 38 anos, fez apenas uma defesa — e foi suficiente.Os técnicos: um duelo de gerações
O confronto entre Ramón Díaz e Juan Pablo Vojvoda é mais que um clássico entre dois argentinos. É um choque de filosofias. Díaz, com 65 anos e 38 de carreira como treinador — passando por River Plate, seleção argentina e clubes da Europa — ainda busca o controle absoluto do jogo, com pressão alta e transições rápidas. Vojvoda, de 46 anos, mais jovem e com um estilo mais pragmático, prioriza a organização defensiva e a eficiência. Antes deste jogo, Díaz tinha três vitórias e uma derrota contra Vojvoda em quatro confrontos diretos. Mas aqui, a experiência não venceu a resistência.
O que o empate significa para a temporada
Com apenas três rodadas restantes, o Internacional ainda tem chances de entrar na briga por uma vaga na Copa Sul-Americana — mas precisa vencer os próximos jogos e torcer por tropeços de times à sua frente. O Santos, por sua vez, vive uma temporada de transição. O empate foi um alívio, mas não muda o fato de que o time ainda não encontrou consistência. O técnico Vojvoda tem poucas opções de reforços no mercado de inverno, e o elenco está cansado. A pressão aumenta, especialmente com a torcida exigindo mudanças.Detalhes do jogo que poucos notaram
Os dados do ZeroZero.pt revelam algo curioso: o Inter fez sete cortes defensivos com 100% de eficiência — ou seja, nunca deixou o adversário avançar após um desarme. Já o Santos, apesar de ter mais desarmes (8 a 7), falhou em momentos decisivos. O árbitro Raphael Claus, com 22 anos de carreira, teve um jogo tranquilo, com apenas nove cartões amarelos no total. O Beira-Rio, lotado com 38.421 torcedores, teve clima ameno: 22°C e 65% de umidade. A torcida do Inter cantou quase o tempo todo, mas o silêncio no segundo tempo, quando o Santos se organizou, foi quase ensurdecedor.
Contexto histórico e futuro
O Sport Club Internacional, fundado em 1909, e o Santos Futebol Clube, de 1912, já se enfrentaram mais de 120 vezes. Em confrontos diretos na Série A, o Inter tem ligeira vantagem — mas o Santos sempre se defende bem quando está em crise. Agora, com a temporada quase no fim, ambos precisam de resultados concretos. O próximo jogo do Inter é contra o Bahia, em casa, no dia 30 de novembro. O Santos viaja para enfrentar o Botafogo no Rio, no mesmo dia. A diferença de quatro pontos pode se tornar insuperável — ou, se os dois perderem, pode virar uma corrida emocionante até o último minuto.Frequently Asked Questions
Por que o Santos empatou mesmo com tanta inferioridade estatística?
O Santos conseguiu empatar por causa da eficiência defensiva e de atuações individuais de destaque, especialmente do goleiro Gabriel Brazão e do lateral Barreal. Apesar de ter apenas 46% de posse e 4 chutes no total, o time soube se organizar no segundo tempo, aproveitando os erros do Inter na finalização. A pressão alta do adversário gerou exaustão, e o Santos se aproveitou disso para manter o equilíbrio.
Qual é o histórico entre Ramón Díaz e Juan Pablo Vojvoda?
Antes deste jogo, Díaz tinha três vitórias e uma derrota contra Vojvoda em quatro confrontos diretos, todos em competições nacionais. O treinador argentino de 65 anos, com mais de três décadas de experiência, sempre teve vantagem tática. Mas neste jogo, a juventude e a organização de Vojvoda, aliadas à resistência do elenco santista, conseguiram neutralizar essa superioridade histórica pela primeira vez em três anos.
Como o resultado afeta as chances de classificação para a Sul-Americana?
O Inter, com 48 pontos, ainda tem chances de entrar na briga pelas vagas da Sul-Americana, mas precisa vencer os três jogos restantes e torcer por tropeços de times como Bahia e Cuiabá. O Santos, com 45 pontos, está mais distante — precisa de quatro vitórias e um resultado favorável de outros times para sonhar. O empate foi um ponto perdido, mas não um desastre. A pressão aumenta, e o elenco precisa mostrar mais consistência.
Quais jogadores do Santos merecem mais atenção nos próximos jogos?
Gabriel Brazão e Barreal foram os destaques positivos, mas o jovem atacante Robinho Jr., de 22 anos, também merece atenção. Ele foi o mais incisivo no primeiro tempo e mostrou perigo em contra-ataques. Se o técnico Vojvoda conseguir integrá-lo melhor ao sistema, o Santos pode ter um novo foco ofensivo. Além disso, o volante João Schmidt, apesar de atuação regular, pode ser a chave para equilibrar o meio-campo nos jogos mais difíceis.
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