Curaçao lança estratégia de luxo sensorial para atrair 50 mil brasileiros em 2026

Juliana Sousa - 6 dez, 2025

No dia 17 de novembro de 2025, no Varanda Faria Lima, em São Paulo, o Curaçao Tourist Board realizou o Korsou Experience DaySão Paulo — um evento que não vendeu praias, mas emoções. Enquanto operadores de turismo pintavam pratos de cerâmica com paisagens da ilha sob a orientação da artista Cris Conde, a atmosfera não era de feira de produtos, mas de convite para viver algo mais profundo: tempo, significado, conexão. É assim que Elaine Hart-Francisca, gerente regional para América Latina e Caribe do Curaçao Tourist Board, define o novo posicionamento da ilha: luxo não é piscina privativa, é lembrar o cheiro do pão de coco assado na manhã de Natal em Punda.

Além das praias: a ilha que fala português

Curaçao não é mais só um destino de sol e mar. É uma ilha onde o papiamento — língua crioula que mistura holandês, espanhol e africano — convive com o inglês, o holandês e, cada vez mais, o português. Foi isso que Vinicius Dantas, representante da ilha no Brasil há mais de 12 anos, destacou em sua apresentação no PANROTAS Next 2025Florianópolis. "Não é só para quem quer tudo incluso. É para quem quer ouvir um saxofone no pôr do sol em Pietermaai, provar um pastechi feito por uma avó que veio da Venezuela, e depois caminhar por casas coloridas que são Patrimônio da UNESCO", disse ele, mostrando fotos de murais de arte urbana e mercados locais.

Ao contrário de outros destinos caribenhos, Curaçao não se vende por resorts gigantescos, mas por bairros que respiram história. Willemstad, com suas casas em tons de amarelo, azul e rosa, não é um cenário de pós-cartão-postal: é um lugar onde crianças brincam nas calçadas de tijolos, e os cafés ainda usam xícaras de porcelana. E a língua? "Após a pandemia, muitos hotéis, restaurantes e guias passaram a contratar funcionários que falam português", afirma Dantas. Um detalhe que pode fazer toda a diferença para famílias brasileiras que não querem depender de tradutores.

Voos diretos e a chegada de novos hotéis

A acessibilidade está mudando. A Azul já opera quatro voos semanais diretos de Belo Horizonte para Curaçao entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026 — um passo estratégico para conectar o interior do Brasil à ilha. Além disso, a Copa Airlines oferece 14 voos semanais via Cidade do Panamá, e a Avianca também tem 14 frequências por semana por Bogotá. A partir de 2 de dezembro, a Latam começará a operar três voos semanais de Lima, abrindo novas rotas para viajantes do Sul e Sudeste.

Essa expansão aérea acompanha o anúncio de novos hotéis. Segundo o Curaçao Tourist Board, pelo menos três propriedades de luxo estarão prontas até o final de 2026, incluindo um boutique hotel em Otrobanda com vista para o porto e um resort sustentável perto do Christoffel National Park. O objetivo? Atingir 50 mil visitantes brasileiros no próximo ano — um salto de 40% em relação a 2025.

Eventos que transformam viagens em memórias

O calendário de eventos é o verdadeiro diferencial. Em 28 de agosto de 2025, o North Sea Jazz FestivalCuraçao trará Snoop Dogg e Ricky Martin para um palco à beira-mar, com mais de 20 mil pessoas dançando sob estrelas. Já o Reggaeton Beach Festival mistura batidas colombianas e caribenhas em praias desertas — um sucesso entre jovens de SP e RJ.

Para o final do ano, as Punda Vibes de NatalWillemstad acontecem toda quinta-feira de dezembro: música ao vivo, feiras de artesanato, e fogos de artifício que iluminam as casas coloridas. Não é um show de luzes em shopping: é uma celebração comunitária. As feiras Marshe Lokal, Feira de Pietermaai e Kura Hulanda oferecem desde peixes grelhados na brasa até colares de conchas feitos por pescadores locais.

Por que isso importa para o turismo brasileiro?

Por que isso importa para o turismo brasileiro?

O Brasil já é o terceiro maior mercado emissor de turistas para o Caribe — atrás apenas dos EUA e Canadá. Mas até agora, os destinos mais vendidos eram República Dominicana e México. Curaçao está mudando esse jogo. Não porque tem mais sol, mas porque entende que o viajante moderno quer história, autenticidade e conexão. "Nós não vendemos um pacote. Vendemos um sentimento", diz Elaine. E esse sentimento, segundo agentes de viagem presentes no evento, já está gerando vendas concretas: 17% dos clientes que ouviram Dantas em Florianópolis já fizeram reserva para 2026.

Na prática, isso significa que o turismo de Curaçao está se tornando uma alternativa para quem já foi a Cancún, já se hospedou em Punta Cana e quer algo diferente — mas ainda com segurança, infraestrutura e, claro, praias de água cristalina. É o Caribe que não precisa gritar para ser lembrado. Ele só precisa ser vivido.

Frequently Asked Questions

Quais são os principais diferenciais de Curaçao em comparação com outros destinos caribenhos?

Curaçao se destaca pela rica herança multicultural, com quatro idiomas oficiais e forte influência latino-americana. Seu centro histórico, Willemstad, é Patrimônio da UNESCO e vive com autenticidade — não como um museu, mas como um bairro habitado. A gastronomia é única, com pratos que misturam sabores holandeses, africanos e caribenhos. Além disso, os eventos culturais, como o North Sea Jazz Festival, atraem artistas globais, e a presença de funcionários que falam português facilita a experiência dos brasileiros.

Como chegar a Curaçao a partir do Brasil em 2025 e 2026?

A Azul oferece quatro voos diretos semanais de Belo Horizonte entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026. A Copa Airlines opera 14 voos semanais via Cidade do Panamá, e a Avianca tem 14 frequências por semana por Bogotá. A Latam começará a operar três voos semanais de Lima em 2 de dezembro de 2025, facilitando conexões para viajantes do Sul e Sudeste. Os voos partem de aeroportos estratégicos, com conexões rápidas e sem escalas longas.

Quais eventos imperdíveis acontecem em Curaçao em 2025?

O North Sea Jazz Festival, de 28 a 30 de agosto de 2025, trará Snoop Dogg e Ricky Martin para um palco à beira-mar. O Reggaeton Beach Festival, em outubro, reúne artistas da Colômbia e Caribe. Já as Punda Vibes de Natal, todas as quintas-feiras de dezembro, oferecem música ao vivo, feiras de artesanato e fogos de artifício no distrito histórico de Punda. Esses eventos transformam a ilha em um destino cultural, não apenas de praia.

Curaçao é seguro para famílias brasileiras?

Sim. Curaçao é considerado um dos destinos mais seguros do Caribe, com baixos índices de criminalidade e infraestrutura turística bem desenvolvida. Muitos hotéis e restaurantes têm equipe bilíngue, e os bairros mais visitados — como Willemstad, Pietermaai e Otrobanda — são bem iluminados e patrulhados. A ilha também tem hospitais internacionais e serviços de emergência em inglês e espanhol, com suporte crescente em português.

O que fazer em Curaçao além das praias?

Visite o Museu Nacional de Curaçao, explore cavernas subterrâneas como Hato Caves, faça trilhas no Christoffel National Park e descubra a arte urbana em Pietermaai. Prove a culinária local em mercados como Marshe Lokal, participe de workshops de cerâmica ou mergulhe com tartarugas em Blue Bay. A ilha oferece experiências sensoriais: o cheiro de cravo na feira, o som do papiamento nas ruas, o sabor do keshi yena — prato tradicional feito com queijo recheado.

Por que o Curaçao Tourist Board está focado no público brasileiro agora?

O Brasil é o terceiro maior mercado emissor de turistas para o Caribe, mas Curaçao ainda ocupa uma fatia pequena. Com a chegada de voos diretos de Belo Horizonte, a expansão da Latam e a demanda por experiências autênticas, a ilha vê uma oportunidade única. O foco é atrair viajantes que já conhecem destinos tradicionais e buscam algo mais profundo — com cultura, história e conexão humana. O Korsou Experience Day foi criado justamente para mostrar isso, sem clichês.

Comentários(20)

Alcionei Rocha dos Santos

Alcionei Rocha dos Santos

dezembro 7, 2025 at 23:26

Curaçao quer vender emoção? Que tal vender primeiro passaporte para o futuro? Onde está o plano de sustentabilidade real? Tudo isso é marketing verde com fundo de caixa holandês. Eles não falam do impacto ambiental das novas construções no Christoffel Park. E os pescadores locais? São só cenário para os turistas tirarem foto com colares de concha.

Isabela Bela

Isabela Bela

dezembro 9, 2025 at 17:55

Eu acho isso lindo. Não preciso de tudo incluso pra me sentir bem. Quero ouvir o saxofone no pôr do sol, provar o pastechi da vó e caminhar em casas coloridas. Isso é viagem, não pacote. Já reservei para dezembro.

Jéssica Jéssica

Jéssica Jéssica

dezembro 9, 2025 at 23:49

Alguém já foi? Achei o texto muito bonito, mas será que é tudo isso mesmo? Tipo, o português é mesmo tão presente assim? Ou é só nos hotéis e nos guias que falam? Porque eu não quero chegar lá e descobrir que é só um discurso bonito pra vender mais passagens. Quero saber da realidade.

Igor Roberto de Antonio

Igor Roberto de Antonio

dezembro 10, 2025 at 03:39

Outro país que quer roubar o turismo brasileiro. República Dominicana e Cancún já são suficientes. Agora vem essa ilha com história e papiamento? Tudo isso é uma farsa pra desviar o foco da nossa própria cultura. Nós temos Fernando de Noronha, Gramado, Jericoacoara. Por que precisamos ir lá?

Paulo Henrique Sene

Paulo Henrique Sene

dezembro 10, 2025 at 04:08

Se é tão autêntico, por que estão construindo resorts de luxo? Isso é turismo de massa disfarçado de exclusividade. Eles querem 50 mil brasileiros? Isso vai acabar com o charme que eles tanto falam. Onde está o controle de visitantes? Onde está o plano de preservação?

Higor Martins

Higor Martins

dezembro 11, 2025 at 18:37

Meu pai foi em 2023 e voltou com lágrimas nos olhos. Disse que ouviu uma avó cantando em papiamento enquanto assava pão de coco. Que o mercado de Pietermaai tinha cheiro de cravo e mar. Não é só um destino. É um abraço. Já estou com as malas prontas.

Talitta Jesus Dos Santos

Talitta Jesus Dos Santos

dezembro 13, 2025 at 09:07

Isso tudo é uma armadilha, viu? O Curaçao Tourist Board é uma fachada. Por trás disso, há um consórcio de empresas de turismo e bancos que querem controlar o fluxo de dinheiro brasileiro no Caribe. Eles estão usando o português como isca - mas quando você chegar lá, vão te cobrar em dólar, e os guias vão te vender um "pacote cultural" por 500 dólares. E o pior? Tudo isso foi planejado por agentes da CIA para desviar o foco da crise na Venezuela. Sim, eu pesquisei. Os murais de arte urbana? São códigos. As cores das casas? Sinais de satélite. O jazz festival? Um disfarce para reuniões secretas. NÃO VÁ.

Ralph Ruy

Ralph Ruy

dezembro 15, 2025 at 03:34

Que bela narrativa. Não é só sobre praias - é sobre memória, cheiro, som, cor. Isso é turismo de alma. E o fato de ter voos diretos de Belo Horizonte? É um gesto de respeito. Não é só acessibilidade, é reconhecimento. Parabéns ao Curaçao Tourist Board por entender que o viajante moderno não quer apenas um lugar - quer um sentimento. Eu já comprei minha passagem. E não é só por causa do saxofone. É por causa da humanidade que isso transmite.

guilherme roza

guilherme roza

dezembro 15, 2025 at 12:35

Outro post de marketing que parece que foi escrito por um copywriter que se apaixonou por um livro de Fernando Pessoa. 🤡 Onde está o preço real da diária? E o que acontece quando os 50 mil brasileiros chegam? Vão virar um novo Cancún com pastechi? 😒

Marcos Suel

Marcos Suel

dezembro 16, 2025 at 07:13

Brasil não precisa de ilhas exóticas para se sentir rico. Nós temos praias, montanhas, florestas. Tudo isso é uma tentativa de nos fazer achar que somos turistas de luxo. Mas a verdade? Nós somos turistas de pacote. Eles só estão tentando vender sonho para quem ainda acredita em sonhos.

Flavia Calderón

Flavia Calderón

dezembro 17, 2025 at 09:28

Isso é incrível. Mas lembrem-se: se forem, respeitem. Não entrem nos bairros como se fossem parques temáticos. Compre nos mercados locais, converse com os moradores, aprendam uma palavra em papiamento. Não é só sobre o que você vê - é sobre como você se comporta. A autenticidade só existe se você a proteger.

Gilberto Moreira

Gilberto Moreira

dezembro 18, 2025 at 21:03

Essa estratégia de luxo sensorial? É um game-changer. Eles estão operando no nível de experiência de marca, não de produto. O pão de coco assado na manhã de Natal? Isso é storytelling de alta densidade emocional. O mercado não quer mais produtos - quer narrativas que toquem o núcleo. Eles acertaram na lógica do novo consumidor. Parabéns, Curaçao. Vocês estão jogando no nível de Apple ou Airbnb.

RODRIGO AUGUSTO DOS SANTOS

RODRIGO AUGUSTO DOS SANTOS

dezembro 20, 2025 at 01:30

Eu não acredito em nada disso. Tudo isso é um conto de fadas pra vender passagem. Onde está o vídeo real? Onde estão os depoimentos de pessoas que foram e voltaram sem se arrepender? Isso parece roteiro de filme de turismo da Globo. Nada disso é verdade. É só marketing. Ponto.

Diana Araújo

Diana Araújo

dezembro 21, 2025 at 06:42

Claro, claro. Tudo lindo, cheiro de pão, saxofone, casinhas coloridas... mas e o custo de vida lá? E o câmbio? E a segurança real? Porque todo mundo fala de "segurança", mas ninguém mostra os números. E se eu chegar e o único que fala português for o garçom do hotel? Aí eu me sinto como um turista de pacote mesmo. 😅

Lino Mellino

Lino Mellino

dezembro 22, 2025 at 14:19

Voos diretos de BH. Pão de coco. Saxofone no pôr do sol. Já tô dentro.

gladys mc

gladys mc

dezembro 24, 2025 at 04:48

Quero acreditar. Mas depois de tudo que aconteceu no México e na República Dominicana, preciso de mais do que um discurso bonito. Preciso de transparência. Quem são os donos desses novos hotéis? Eles contratam locais? Pagam justo? Não quero ser parte de um problema disfarçado de solução.

Tafnes Nobrega

Tafnes Nobrega

dezembro 25, 2025 at 16:28

Eu amei o jeito que falaram sobre o cheiro do pão de coco. Isso me lembrou da minha avó em Recife. Ela também assava pão de queijo no Natal. Não é só sobre o lugar. É sobre o que ele desperta. Acho que é isso que as pessoas estão buscando. Não um destino. Um eco da própria história. Obrigada por lembrar disso.

Priscila Tani Leal Vieira

Priscila Tani Leal Vieira

dezembro 27, 2025 at 13:23

Se você vai, vá com calma. Não corra de um lugar para outro. Sente em uma calçada em Willemstad, beba um café com leite de coco, observe as crianças brincando. Isso é o que eles estão vendendo. Não o hotel. Não o show. O silêncio entre os sons. Aí você entende.

José Lucas de Oliveira Silva

José Lucas de Oliveira Silva

dezembro 27, 2025 at 14:52

Se tem jazz com Snoop Dogg e pastechi de avó, eu vou. Sem dúvida. E se tiver português no hotel, melhor ainda. Não preciso de mais nada.

Isabela Bela

Isabela Bela

dezembro 27, 2025 at 18:12

Isso é exatamente o que eu senti. Não é sobre o que você vê. É sobre o que você sente. E se você sentir isso, não precisa de mais nada.

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